terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A propósito do Carnaval

Ainda mal terminaram os Reis e já se começa a falar do Carnaval - quintas-feiras de amigos, amigas, compadres e comadres. É a folia no seu melhor, enfeitada de bailes, soirés e matinés, com máscaras e fantasias, filhós, coscorões e malassadas, comezainas e bebidas. Tudo a bem da alegria, do convívio, da gargalhada e da galhofa, que a vida não é só desgraças!!!...
Longe vão os tempos das danças de espada, formadas por grupos de homens que percorriam a ilha e coloriam as praças com trajes garridos e armas inofensivas. Também já não existem conjuntos "ad hoc" para animarem as noites da folia.
A festa agora é nas discotecas, nos bares, nos novos espaços de convívio onde o ruído ensurdecedor dos megawtts fala mais alto que as conversas de circunstância, acompanhadas de uma mini ou de um copo de gin. É assim!...
À roda do ano, disfarçamo-nos na folia e disfarçamo-nos no sério, como se a dualidade fosse uma forma saudável de bem-viver. E para muitos, é! Mas um dia virá em que a realidade da vida nua e crua, impor-se-á cristalina, revelando a verdadeira face e o mais profundo do nosso ser que, teimosamente, escondemos.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Lepratecoma!


Uma nova janela se abre ao progresso desta terra que o autor do monumento aos baleeiros, pretendeu simbolizar naquele pórtico colocado no Caneiro o qual constitui um velho marco da história desta Vila – primeira do Pico (falta ainda terminar as obras de reconstituição dos velhos caldeiros onde se derreteu baleias!).
Uma história carregada de labutas, canseiras e fracassos, sonhos, projectos e esperanças que começam a ressurgir no dealbar do novo ano.
Utilizando a expressão de um antigo companheiro de escola: lepratecoma, se não sou capaz de mudar isto! Vamos dar a volta ao conformismo e assumir, todos juntos, o futuro desta Terra de Valentes Baleeiros!!!
É este o voto sincero que formulo no início de 2008!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Um Natal só para alguns

Da festa do Natal, só o Presépio assinalava a diferença pois não havia nem árvore, nem luzes. Um altarinho, talvez, na cómoda do quarto de cama e um rebuçadinho para os pequenos.
O mais era a Missa do Galo na noite fria e um jantarinho de galinha mais abundante.
De resto era um dia como os outros: roupinhas remendadas e lavadas, pés descalços e uma alegria esfusiante perante uma bola de trapos, até que chegava um menino com uma bola verdadeira, bem encostada a si não fossem os rapazes dar cabo dela.
Ai tanta inveja de quem passeava, altivamente, carrinhos de lata, roupinhas e sapatos novos, guloseimas e pouco mais, que naquele tempo a variedade não era tanta assim...
Pelo ar pairava um perfume a laranjas e tangerinas, fruta abundante da época, acompanhadas de um naco de pão, com que a rapaziada matava a fome azeda da miséria.
Afinal, o Menino Jesus, não tinha vindo para todos...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Toda o litoral das Lajes precisa de melhoramentos



Nesta tarde outonal, as Lajes voltam-se para o mar e para a montanha. Agora, já o demonstrou a cortina em fase de conclusão, a Vila está mais segura, mais resguardada.

Impõe-se, por isso, que as Lajes se voltem para o mar. A sua zona litoral vai desde a Lagoa de Cima à entrada para a Maré, e todo este trajecto tem de ser recuperado e modernizado, antes do passeio Castelo-Casas dos botes. Não é só a área do antigo campo de futebol que carece de recuperação, é toda aquela faixa, virada para o mar, onde se pode fazer uma avenida litoral, junto à muralha, naturalmente, com piso de cimento, zona pedonal, esplanadas...mas ao longo de toda a faixa atrás citada e não só no antigo campo de futebol.

É claro que falar da recuperação deste amplo espaço, significa integrar, com desassombro e sem receios, o aproveitamento da zona balnear da Maré. Não se pode continuar a construir e remodelar zonas balneares - e bem! - noutras freguesias e deixar para o fim, com receio não se sabe de quê e de quem, a zona balnear da Maré, com condições naturais ímpares. Todavia, antigas gestões autárquicas - bem intencionadas, não o contesto! - quase a descaracterizaram efectuando obras mal concebidas e arquitectadas, cobrindo de cimento, sem o mínimo cuidado ambiental, a textura dos rochedos.

As Lajes dispõem, a partir de agora, de outras condições. Saibamos aproveitá-las.

Ganhará o concelho e a Ilha.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

É legal ou ilegal?

O final do ano está a chegar e, como tal, é tempo de balanço.
Para o cidadão comum que paga os seus impostos e tenta cumprir a lei, não há quem lhe valha quando prevarica ou porque o recurso à justiça é caro ou porque desconhece os seus direitos.
Tudo isto vem a propósito da inspecção efectuada à Câmara Municipal das Lajes do Pico, sobre a legalidade ou não da nomeação do Chefe de Gabinete da Presidente, que é seu consorte.
Soube-se que a Inspecção Regional averiguou, mas não se sabe se já emitiu parecer e se este é ou não favorável à decisão da autarca.
Importa que, caso haja uma conclusão, que a mesma seja divulgada, para que não se continue a levantar suspeições sobre quem exerce actividade pública.
Nesta matéria, vale mais a transparência, a legalidade e a verdade, que o encobrir situações que desabonam em prejuízo de uns e beneficiam outros.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Uma nova Escola nas Lajes fora da Vila? Nunca!

Governo abre concurso para projecto das novas instalações da EBS das Lajes do Pico

O Governo dos Açores abriu concurso para a concepção do projecto e aquisição de serviços técnicos destinados à construção das novas instalações da Escola Básica e Secundária (EBS) das Lajes do Pico.

Nos termos do procedimento lançado pela Secretaria Regional da Educação e Ciência, com um custo estimado de 280 mil euros, prevê-se a escolha de cinco soluções de concepção, ao nível o estudo prévio, devendo o Governo contratar com o subscritor ou subscritores de uma delas a aquisição de serviços para os projectos de especialidade e de execução do novo edifício escolar.

O prazo de recepção de projectos e dos pedidos de participação decorre até 31 de Janeiro de 2008. GaCS/AP

Esta notícia do GACS, levanta várias questões:

1. Por que motivo é que o Governo vai construir uma nova escola, quando o grupo de trabalho constituído por representantes da Câmara e do próprio Governo acordaram que construir uma nova escola fora da Vila era um erro?

2. Sabendo-se que a população escolar está a diminuir e que nova escola vai ser construída na Ponta a Ilha para o ensino básico (1º e 2º ciclos do básico, pelo menos), justifica-se nova construção?

3. Os exemplos de remodelação e ampliação das escolas Antero de Quental, Domingos Rebelo e Roberto Ivens de Ponta Delgada, as duas primeiras com mais de dois mil alunos, significa que háq dois pesos e duas medidas.

4. Sobrepôr medidas eleitoralistas desajustadas e impensadas que geram sempre o despesismo e a demagogia política, uando deveriam atender ao desenvolvimento dos povos e localidades, é um mau princípio.

5. Melhorar e beneficiar a actual escola SIM e é possível e necessário. Construir empreendimentos desgarrados e afastados das localidades e das pessoas NÃO.

6. Penso que o bom senso há-de imperar e que os projectos não passarão do papel, pois não aproveitam ao desenvolvimento das populações. E já agora , e se em vez de se construir a escola no Biscoito, se construísse ao cimo da ladeira da Vila, a caminho das Terras? Tirar a Escola da Vila é que NUNCA!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O "crime" de votar PS

Os Lajenses têm manifestado em muitos dos actos eleitorais para os orgãos dos poderes regional e nacional a sua preferência pelo Partido Socialista, ao contrário de outras localidades da Ilha, que, optam por outros partidos à direita do espectro político.
Esta opção tem de ter consequências, sob pena de os eleitores desacreditarem os políticos e as políticas da sua preferência. E ao longo destes últimos anos, os lajenses não viram nem sentiram as consequências da sua opção pelo PS.
Para além da orla marítima, velha aspiração satisfeita pelo executivo de C.César e pela encolhida construção do porto de recreio náutico, no interior da antiga e exígua Lagoa, fundamental para a actividade de whale-watching, nada mais se vislumbra que retire esta Vila da letargia em que se encontra.
No domínio da saúde, médicos, instalações e equipamentos não respondem à problemática da doença e nem há heliporto para nos levar à Horta ou mais além...
No domínio dos serviços e empresas públicas, as instalações foram levadas com o consentimento governativo para outras paragens e as que cá ainda estão, ou são exíguas - serviços da SRHE e SRA - e não dignificam a Região, nem valorizam a mais importante zona de produção agro-pecuária da ilha. O que ficou na Piedade, do retirado para a Madalena no tempo de Adolfo & Ferreira, até já dá para o ambiente, para serviços agrários e florestais, até que alguém se lembre de levá-los para outras latitudes fronteiriças...
No sector turístico, contam-se pelos dedos o número de camas e de unidades hoteleiras, enquanto os dois hotéis da Madalena se preparam para aumentar a capacidade para cerca de 500 camas. Do novo hotel nas Lajes, nem fala o plano do Governo para 2008 e do campo de golf, só intenções...
Timida e titubeantemente se fala da Escola B/S das Lajes, mas nem se anuncia qual o projecto de ampliação nem se afirma peremptoriamente que uma nova escola é para ir por diante.
De apoios ao comércio tradicional - o conhecido URBCOM - as Lajes não foi tida nem achada. Nem se discutiu publicamente o assunto, nem se incentivou publicamente os comerciantes a fazerem investimentos apoiados pelo Governo da República, ao contrário, por exemplo, de Sta Cruz da Graciosa que apresentou 5 projectos.
Nada! para as Lajes, nada! Nem um pequeno ou grande jardim, nem um complexo habitacional a custos controlados, como se faz noutras localidades rurais - não haveria interessados? certamente que sim! -, nem um campo de futebol sintético, nem um cais de passageiros...nada! Só " mar, um barco na distância, uma ganhôa pairando...a advinhar-lhe à prôa, Califórnias perdidas de abundância" (Pedro da Silveira)
Há muito que miradouros aguardam por pequenos arranjos que tornassem mais acolhedora a paisagem do sul; há espaços ambientais classificados por legislação regional e europeia, sem a necessária informação - uma placa identificadora, um pequeno prospecto, um roteiro pedestre, um guia de natureza, uma promoção, uma visita... NADA!
Tudo para o outro lado, tudo para quem votou na oposição, contra César, contra o Governo.
E para nós? NADA! ou tão pouco que dois lares de terceira idade e um centro de saúde onde os que aqui restam, darão lugar para morrer...
Será este o destino do povo do sul que maioritariamente votou no PS?
Acredito que não, espero bem que não!!!