
Hoje à tarde, perante a beleza desta paisagem, lembrei-me de evocar todos quantos daqui partiram para outras paragens, ainda na flor da idade, motivados pela conquista de melhores condições de vida.
Quantos e quantas que já não vejo há anos!... Estão nas cidades norte-americanas da Nova Inglaterra ou da Califórnia, nas terras frias do Canadá, no continente português e por essas ilhas, sobretudo nas mais populosas. Foram engrossar o número de trabalhadores e de quadros bem sucedidos e remunerados e seus filhos, já daqui não são. Vêm, quiçá, todos os anos, mas, quando chega Setembro, debandam para os seus destinos.
Ao olhar para este silencioso e encantado recanto, apetece-me ir de casa em casa, de rua em rua, escrever, em letras bem visíveis, os nomes dos que nasceram na Rua de Baixo e na Maré, na Rua Direita, dos Sapateiros, na Rua Nova e na Pesqueira e que já por cá não andam... brincando na Lagoa atrás de um barquinho de madeira, ou à noite no Cruzeiro, por entre os canteiros de um jardim pouco cuidado.
São tantos que só numa via-sacra saudosa, poderei reavivar os seus nomes.
É importante recordá-los aos que aqui vivem porque já fomos muitos mais.
Os que daqui abalaram, têm a imagem deste fim de tarde, quase primaveril, sempre presente, enquanto os que cá residem podem ou não valorizá-la...